Ela podia contar com ele. Mesmo sem revelar tantas coisas que pesavam em seu coração, que amarguravam e ressecavam o fundo da sua alma. Ela podia contar, nas horas mais solitárias da vida, quando o olhar, vagando ao redor, só encontrava deserto. Podia contar, mesmo sem vontade de confiar em ninguém, ou certa de que não valia a pena confiar mais em alguém nesta vida. Ela podia contar devagar, deixando que a boa vontade fosse surgindo, sem forçar nada, no ritmo em que acreditasse. Podia contar durante as agonias que, de algum tempo para cá, não davam paz ao seu cansado coração, lembrando que o bom da vida consiste em encontrar um amigo. Ela podia contar nas horas inesperadas, quando tempestades surgiam de repente e caíam sobre sua cabeça triste. Podia contar para reaprender a cantar, para redescobrir a vida nas pequenas e serenas felicidades. Ela podia contar para que ele a ajudasse a ter um rosto tranquilo, pelo menos na presença das crianças menores, que vivem dos sorrisos e olhares ab...