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Dormir

Hoje foi aquele dia em que ela deixou a vida passar. Quanto mais dormia, mais queria dormir; assim, não via nada, não se estressava, sem preocupações. Mas então ela se acordava, pois precisava levantar, fazer o jantar, tomar banho, e mesmo tendo dormido o dia todo ainda sentia a necessidade de cumprir suas obrigações o mais rápido possível para dormir novamente. Hoje ela faltou à fisioterapia porque não estava se sentindo bem. No almoço, comeu um pacote de bolacha de leite com chá de erva-cidreira e passou o resto do dia dormindo. Ela sente que precisa de férias. Há mais de 20 anos, sente-se apenas como uma empregada na casa em que vive. Está cansada, muito desanimada, e se pergunta onde foi parar sua alegria e sua felicidade. Sinceramente, não sabe onde perdeu tudo.

Solidão

Ela se sente só em sua própria casa, mesmo cercada de pessoas, solitária, triste e amargurada. Sabe aquela sensação de pensar que ninguém a ama, e que aqueles que diziam amá-la a abandonariam justamente na hora em que mais precisava? Ela conversa com seus cachorros ; eles, pelo menos, a ouvem sem julgar. Fala com as paredes. Não tem assunto, nem amigos. Somente um Deus muito grande ainda a impede de cometer o pior. É por essa fé inabalável que ela não tem coragem de deixar a vida antes do tempo. Ela sente que está apenas esperando a vida passar — e ela está passando rápido. Tudo o que deseja é sair de onde está e viver sozinha, sem ninguém. Essa é a ideia que passa por sua mente constantemente. A saudade de sua mãe e das pessoas que ama dói profundamente. Ainda assim, prefere ficar só, porque sente que é a única que realmente ama.

Vida vazia

Ela se sente sem perspectivas, sem planos, sem sonhos, sem alegria — só vê escuridão. Os traumas que foram deixados estão todos aqui, amarrados juntos, e ela não consegue desfazer os nós. O passado está muito presente em sua vida, enquanto o presente ela mal percebe, e do futuro nem sequer espera. Sente dores na alma e dores físicas que nenhum médico pode curar. Não tem vontade de comer algo gostoso, nem de sair para passear, nem mesmo de fazer uma caminhada. Em cada junta do corpo, sente dor, e a sensação de cansaço é constante. Sem ânimo, tudo o que deseja é apenas descansar e dormir, como se isso fosse necessário para sobreviver a esse pesadelo chamado vida — uma vida vazia.

só pensando .

Seus pensamentos estão a mil. Ela está brigada com seus filhos e com a sobrinha que tanto ama — sua preferida, a mais velha. Ela ficou magoada pelo modo como a sobrinha falou, mas ainda assim a ama profundamente. A cabeça dela não encontra paz; não consegue se aquietar. Sentiu-se magoada com todos que disseram que sua briga foi por dinheiro — comentários que considera nojentos e injustos. Disseram que o que fez foi uma vergonha, mas ninguém vê o quanto ela está sofrendo. A dor é imensa, não apenas física, mas também psicológica. Ela está prestes a ir para uma clínica psiquiátrica para se tratar, antes que cometa algum erro consigo mesma. Como só tem sua psicóloga para conversar, resolveu escrever, na esperança de que algum leitor possa lhe enviar uma palavra de conforto sobre o assunto. Está muito triste. Pensa em arrumar a casa, mas não consegue devido às dores em todo o corpo. Ainda assim, prepara a comida, coloca a roupa na máquina e depois estende no varal. Para varrer e passar pa...

Triste porque ?

Quando a dor vai além do corpo Muitas vezes, ao desabafar, ela escuta exatamente o que já sabe: “Está reclamando da casa? Há quem não tenha nem onde morar...” “Está reclamando da comida? Tem gente que não tem o que comer...” Essas comparações não aliviam. Ela conhece as dores do mundo, mas quando fala da sua, não é para ouvir julgamentos — é para ser ouvida, acolhida. Se não há como ajudar, o silêncio compassivo é sempre melhor do que palavras que ferem. Mas afinal, por que ela está triste? Talvez seja por tudo: pela dor física que não passa, pela frustração de não conseguir fazer o que gostaria, pelo estado da casa, pelas reclamações constantes do marido sobre o quintal, sobre as paredes, sobre a vida. Ela se sente sobrecarregada. Carrega nas costas a preocupação com os filhos, com a casa, com os pensamentos que não param. Sua pele dói, sua alma chora, mergulhada em uma angústia sem nome. No íntimo, às vezes sente que seus dias já estão contados. Reconhece que a vida tem começo, meio ...

Um abraço talvez

Ela se pergunta: “Vocês também se sentem assim?” Ela só chora o dia todo, só reclama — murmúrios de dor por tudo, lágrimas constantes. Está cansada disso, e percebe que está afastando todas as pessoas de si. Ninguém quer ouvir uma pessoa que só reclama de tudo: da dor, da casa, dos problemas da filha, das preocupações, dos pensamentos acelerados e do choro constante. As pessoas não querem assumir o problema do outro; tentam apenas ser gentis. Ela só queria que alguém dissesse: “Desabafe, minha amiga, estou aqui para te ouvir e sempre terei uma palavra de otimismo para você.” Custa tanto ao ser humano respeitar o espaço do outro? Se alguém está triste, seria melhor tentar deixar essa pessoa feliz, e não cutucar suas feridas. Cada um tem sua vida, suas escolhas, seu jeito de viver, pensar e agir. Não se pode esperar que todos sejam iguais a nós. Ela sente que dói demais quando alguém mostra que está cansado de ouvir. Por isso, pede: não julgue o problema do outro. Apenas abrace, sem di...

Nada é facil

Nada está sendo fácil para ela. Sempre foi uma mãe “grude”, muito afetuosa, que mimava os filhos demais e não sabia dizer não. Sempre foi assim porque, com ela, eles insistiam até conseguir o que queriam. Sempre fez tudo por eles, nunca impôs regras, cuidou com todo o amor — assim como cuidava de seus sobrinhos e da neta. Nada é fácil. Ela se sente só, sem chão. Quando surgem brigas e discussões, ela nem sabe mais como reagir; se cala, mas sofre profundamente. Amava ver a casa cheia de crianças para alegrar sua filha mais nova, já que os irmãos eram mais velhos. Muitas vezes, as crianças ficavam uma semana em casa. Em aniversários, sempre havia muitas crianças que dormiam depois da festa. Ela ama crianças. Mas sente que errou ao ser tão jovem de espírito, ao não saber impor regras, ao não conseguir dizer não, ao querer trabalhar em casa para estar perto deles, participando de tudo nas escolas, sempre fazendo a vontade deles e deixando as suas para trás. Agora, ela se pergunta se tudo v...