Triste porque ?
Quando a dor vai além do corpo
Muitas vezes, ao desabafar, ela escuta exatamente o que já sabe:
“Está reclamando da casa? Há quem não tenha nem onde morar...”
“Está reclamando da comida? Tem gente que não tem o que comer...”
Essas comparações não aliviam. Ela conhece as dores do mundo, mas quando fala da sua, não é para ouvir julgamentos — é para ser ouvida, acolhida. Se não há como ajudar, o silêncio compassivo é sempre melhor do que palavras que ferem.
Mas afinal, por que ela está triste? Talvez seja por tudo: pela dor física que não passa, pela frustração de não conseguir fazer o que gostaria, pelo estado da casa, pelas reclamações constantes do marido sobre o quintal, sobre as paredes, sobre a vida.
Ela se sente sobrecarregada. Carrega nas costas a preocupação com os filhos, com a casa, com os pensamentos que não param. Sua pele dói, sua alma chora, mergulhada em uma angústia sem nome.
No íntimo, às vezes sente que seus dias já estão contados. Reconhece que a vida tem começo, meio e fim — e teme que o fim esteja mais próximo do que gostaria.
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