Sobemreviver a fibromialgia +Depressão

Nada está sendo fácil para ela. Sempre foi uma mãe “grude”, muito afetuosa, que mimava os filhos demais e não sabia dizer não. Sempre foi assim porque, com ela, eles insistiam até conseguir o que queriam. Sempre fez tudo por eles, nunca impôs regras, cuidou com todo o amor — assim como cuidava de seus sobrinhos e da neta.


Nada é fácil. Ela se sente só, sem chão. Quando surgem brigas e discussões, ela nem sabe mais como reagir; se cala, mas sofre profundamente. Amava ver a casa cheia de crianças para alegrar sua filha mais nova, já que os irmãos eram mais velhos. Muitas vezes, as crianças ficavam uma semana em casa. Em aniversários, sempre havia muitas crianças que dormiam depois da festa. Ela ama crianças.


Mas sente que errou ao ser tão jovem de espírito, ao não saber impor regras, ao não conseguir dizer não, ao querer trabalhar em casa para estar perto deles, participando de tudo nas escolas, sempre fazendo a vontade deles e deixando as suas para trás.


Agora, ela se pergunta se tudo valeu a pena. Sente que eles talvez não a admirem, que passaram por coisas ruins por sua culpa — por permitir que seu irmão e sua mãe morassem na casa. Ela sente que fez tudo errado, mesmo tendo criado com amor, carinho e proteção. Sempre pensou que, se era apenas mãe, eles deveriam ter orgulho dela.


Hoje, ela está doente, sem ajuda do INSS, mesmo tendo 2 anos e 9 meses de contribuições. Toma vários medicamentos há dois anos, alguns juntos a deixam grogue. Não tem mais condições psicológicas para trabalhar fora. Além disso, seu estômago está grave, ela aumentou 13 quilos, quase não consegue comer direito — geralmente apenas uma bolacha e um chá. Fins de semana, raramente compra um lanche, refrigerante ou pizza.


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