FIBROMIALGIA

 Qual será a dor da fibromialgia ?



A dor invisível de Clara


Qual será a dor da fibromialgia?

Será a dor das lembranças?

A dor que não aparece nos exames?

A dor que ninguém acredita?

Será dor mental ou física?


Clara acreditava que fosse um pouco de tudo isso junto. A cada dia, a dor desencadeava outras limitações: peso nos ombros, dificuldade para andar, impossibilidade de praticar exercícios. Surgia sempre uma nova dor, espalhando-se por diferentes partes do corpo.


Tudo começou no ano passado. Clara morava no interior de Minas Gerais e foi visitar amigos em Belo Horizonte. Ao voltar, sentiu uma forte dor de cabeça e os dedos dos pés como se alguém os puxasse. Foram várias idas ao hospital, muitos medicamentos, mas nada resolvia.


Eventualmente, precisou ser internada, chegando até a UTI, para realizar inúmeros exames e descartar diversas doenças. Depois de tudo, o psiquiatra diagnosticou fibromialgia e depressão profunda, recomendando acompanhamento com psicólogo, psiquiatra e reumatologista.


Há um ano, Clara vem tratando todas essas questões, incluindo problemas gastrointestinais. Recentemente passou por uma histerectomia total e agora se recupera, aguardando iniciar fisioterapia devido a lesões na lombar e na cervical, além de tendinite no braço direito e lesão no ombro.


No exame gastro, foi diagnosticada com H. pylori, esofagite e pangastrite. Aos 43 anos, a vida de Clara se sustenta em remédios, tentando aliviar dores físicas e emocionais.


Ela pensava que nesta fase seria livre, independente e capaz de realizar antigos sonhos, mas percebeu que a depressão já a acompanhava há anos, silenciosa e insistente. O desânimo é total: sem vontade de nada, sem coragem de sair da cama, sem expectativa ou planos para o futuro.


As tarefas de casa se tornaram obrigações; se não fizesse, ninguém faria. Então, mesmo sem vontade, ela se levantava e fazia o que era necessário. Clara deixou de consumir álcool, mudou a alimentação e, com a ajuda dos medicamentos, as dores físicas diminuíram. Mas a dor da alma e da mente continua.


Sua mente não para de trabalhar: repete o passado, revê mágoas, tenta alcançar perdões que parecem impossíveis. Ela se sente excluída, só, mas ao mesmo tempo não deseja a companhia de ninguém. Prefere se manter dentro de sua casca, escondida, trancada em seu canto, evitando críticas e bajulações.


Clara vive, todos os dias, com essa luta silenciosa — uma dor invisível, mas profundamente sentida no corpo e na alma.

 

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