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Mostrando postagens de setembro, 2025

Perfil de Lise

  Ela busca palavras que floresçam, histórias que ganhem alma, textos que se transformem em romance, ou em versos suaves que toquem o coração. Carrega curiosidade no peito: pergunta sobre dores do corpo, dores da alma, sobre o peso que se quer perder e o sentido espiritual que se deseja encontrar. Entre receitas doces de bolo, frases de bom dia para aquecer o WhatsApp, e pedidos de transformar fotos em memórias únicas, há uma alma que procura beleza em cada detalhe. É alguém que sente fundo, que sofre por amor, por gente, por vida, mas que não deixa de acreditar que palavras podem curar e que até na distância é possível amar.

Romance complicado

 Ana Maria tinha apenas dezesseis anos quando conheceu Márcio, um homem de trinta e um. O destino cruzou os caminhos dos dois por meio da irmã dele, que tinha a mesma idade de Ana. Frequentavam os mesmos lugares, e não demorou para que fossem apresentados. Aquele encontro trouxe risadas, jogos de bilhar e taças cheias, como se o mundo, de repente, tivesse parado apenas para eles. Mas a história não terminou naquela noite. Pelo contrário, foi apenas o começo. Com a chegada do fim de ano, Márcio decidiu levar Ana e seus pais à praia. A irmã mais velha dele também foi junto, e todos celebraram a virada bebendo até o amanhecer, adormecendo na areia, embalados pelo som do mar e pela ilusão de que a vida seria sempre uma festa. Quando o novo ano se iniciou, os encontros tornaram-se rotina. Porém, a vida de Ana deu uma guinada brusca: expulsa de casa, ela pediu abrigo ao namorado. Passou a viver no quintal da casa onde os pais e as irmãs de Márcio moravam. O início foi marcado por olhare...

Proximas

Ela e a mãe nunca foram muito próximas. A mãe, sempre consumida pelo trabalho, deixou que a infância se desenrolasse ao lado da avó, até os sete anos. Aos oito, a mudança para São Paulo trouxe o convívio diário com aquela que deveria ser o porto seguro , mas a distância entre elas não se mediu em quilômetros — era um abismo silencioso, feito de ausências e silêncios. Na escola, nas festinhas, em cada pequena celebração da infância, ela nunca encontrou a mãe. Não houve colo que a acalmasse, nem abraço que aquecesse, nem beijo que a fizesse sentir-se inteira. O carinho materno, quando surgia, era como uma estrela cadente : belo, raro, fugaz. Somente na vida adulta, entre tropeços e pequenos milagres de aproximação, o cuidado e o afeto começaram a se insinuar. Mas o amor que não existiu no tempo certo deixou sua marca, profunda, silenciosa, como uma sombra que acompanha cada lembrança. E ainda que agora houvesse mais presença, mais ternura oferecida por ela mesma, a memória da ausência s...

Ha algum tempo

Novos amigos : a força de se conectar Há tempos ela não escrevia, mas sentiu vontade de voltar a colocar seus pensamentos no papel. Para quem vive na solidão , fazer novos amigos pode ser uma experiência transformadora. Conhecer pessoas com ideias diferentes, gostos diversos e histórias únicas nos ajuda a compartilhar tanto tristeza quanto alegria . Poder desabafar é uma forma de se libertar da solidão ; ter alguém que nos ouça, que nos entenda sem apenas criticar, que ofereça opinião quando pedimos ou simplesmente console , faz um bem imenso à alma. Novas amizades também ampliam a visão de mundo. Cada pessoa tem um jeito diferente de ser, pensamentos e experiências distintas, e isso nos ajuda a perceber que não estamos sozinhos em nossas dificuldades. Nem tudo é perfeito: novas amizades podem trazer decepções, por isso é preciso estar atento. Conhecer alguém verdadeiramente leva tempo, mas existem pessoas que cativam desde o primeiro momento, trazendo uma sensação de familiaridade c...

Vicio/destruição.

 A dura realidade do vício: quando o amor não é suficiente Um exemplo marcante é o de um homem de 55 anos, que carrega sequelas de um traumatismo craniano. Desde jovem, mergulhou no mundo das drogas. Seu irmão mais velho, numa tentativa de resgate, pagou um ano inteiro de clínica de recuperação. Mas bastou reencontrar o irmão mais novo para abandonar o tratamento e ir morar com ele. Pouco tempo depois, as brigas começaram e o vício voltou a se impor. Chegou a ser hospitalizado após uma convulsão quase fatal. Foi então que, talvez por intervenção divina, ele foi parar na casa da irmã — justamente a que havia se ajoelhado e implorado em oração por sua vida. O taxista, em um gesto quase milagroso, o deixou na porta dela. Ele chegou descalço, mal conseguindo se manter de pé, e foi acolhido com amor de mãe. Durante semanas, ela cuidou dele como de uma criança: lavou suas roupas, cozinhou suas refeições, levou-o ao médico, ao dentista, ao ortopedista. Apesar do estado de saúde frágil — H...