Vicio/destruição.

 A dura realidade do vício: quando o amor não é suficiente


Um exemplo marcante é o de um homem de 55 anos, que carrega sequelas de um traumatismo craniano. Desde jovem, mergulhou no mundo das drogas. Seu irmão mais velho, numa tentativa de resgate, pagou um ano inteiro de clínica de recuperação. Mas bastou reencontrar o irmão mais novo para abandonar o tratamento e ir morar com ele. Pouco tempo depois, as brigas começaram e o vício voltou a se impor. Chegou a ser hospitalizado após uma convulsão quase fatal.


Foi então que, talvez por intervenção divina, ele foi parar na casa da irmã — justamente a que havia se ajoelhado e implorado em oração por sua vida. O taxista, em um gesto quase milagroso, o deixou na porta dela. Ele chegou descalço, mal conseguindo se manter de pé, e foi acolhido com amor de mãe.


Durante semanas, ela cuidou dele como de uma criança: lavou suas roupas, cozinhou suas refeições, levou-o ao médico, ao dentista, ao ortopedista. Apesar do estado de saúde frágil — HIV, tuberculose, pneumonia, uma perna mais curta, dentes em péssimas condições — recebeu tratamento, carinho e dignidade.


Mas, em um dia chuvoso, sem dizer nada, entrou em um carro desconhecido, juntou seus poucos pertences e foi embora. Não agradeceu, não se despediu. Simplesmente escolheu voltar às ruas, ao vício, ao abandono.


Ele trocou um lar simples, mas cheio de cuidado — com cama limpa, cobertor cheiroso e comida caseira todos os dias — por uma vida de esmolas. Hoje, vaga sujo pelas ruas, pedindo ajuda nos faróis, usando uma máscara imunda. Nem precisa usar sua aposentadoria, pois arrecada mais pedindo nas esquinas do que receberia com um salário.


Essa é a realidade cruel: a maioria dos dependentes só aceita ajuda quando já não consegue andar, quando a doença os derruba. Mas, assim que recuperam as forças, voltam ao vício. Estudos e relatos de clínicas apontam que, em cerca de 98% dos casos, essa é a dura verdade.


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