Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2022

Adotados

Na verdade, não fomos nós que os escolhemos… foram eles que nos encontraram. Vieram até nós pedindo socorro — famintos, com frio e carregando no olhar uma dor que só quem já sofreu na rua conhece. Os animais têm um dom especial: eles sentem quem realmente gosta deles. E, mesmo sem termos muito, oferecemos o que podemos — uma água fresca, um punhado de ração, mas principalmente o que é infinito em nós: amor e carinho. 💕 Porque, no fim das contas, são eles que nos resgatam todos os dias.

Duvidas?👀👀👀

Caros leitores, vocês têm acompanhado esses “projetos” que tomaram conta da internet? Hoje em dia parece que tudo gira em torno de lives e ações sociais que mais parecem reality shows — fofocas e espetáculos maiores até do que o próprio BBB . De repente, muitos resolveram “tirar mendigos e adictos das ruas”. Mas a verdade é dura: usam pessoas em situação de vulnerabilidade para se autopromover. Mostram nas câmeras como são “bons”: levam para passear, para o cabeleireiro , oferecem roupas de luxo … mas, na prática, expõem, humilham e se colocam como gloriosos salvadores. Na realidade, é apenas uma casa de abrigo : três meses de ilusões, com luxo temporário, e depois essas pessoas voltam para as ruas. Enquanto isso, os donos dos projetos adquirem bens, carros, motos, sítios , parecendo reis diante das câmeras. E quem paga por isso? A água? Os internautas . A luz? Os internautas. A sopa, a picanha , a pizza? Sempre os internautas. Mas o resultado é quase sempre o mesmo: os adictos não l...

momentos

Há momentos na vida que nem ela mesma consegue explicar. Qualquer coisa a entristece, qualquer detalhe a abala. Sente-se profundamente desiludida, como se a felicidade estivesse distante demais, enquanto a tristeza escorre diariamente pelo seu rosto. Dentro dela, existe o desejo de viver intensamente, de ser livre, de não precisar dar explicações a ninguém. No entanto, sente-se incapaz, presa a uma realidade que nunca correspondeu às suas expectativas. Viver assim parece um fardo, um carma que não se desfaz , apenas evolui em peso. Quando lhe perguntam se é feliz, responde que sim — em partes. Ama profundamente seus filhos e sua neta, e é a presença deles que a mantém de pé, que dá sentido aos seus dias. Mas só ela sabe a solidão que sente, só ela conhece a dor silenciosa que carrega. Ainda guarda em si vontades não realizadas: viajar sozinha , passar um tempo apenas consigo mesma , caminhar por novos lugares , viver momentos que ainda sonha em ter. Tudo isso, no entanto, parece perman...

Saudade

Ele deixou lembranças de muitos risos. Aparecia de ano em ano, e até tentava ficar mais tempo, mas nunca conseguia parar em um só lugar. Vivia viajando pelas BRs da vida — e foi justamente em uma delas, em São José dos Campos , que acabou perdendo a vida, atropelado por uma moto. Teve a chance de ver os filhos crescerem e, graças a Deus, sempre manteve respeito por todos. Chamava ela de “dona Maria”, sua mãe de “vovó” e a filha de “Ana Karolina Jatobá” — sempre com aquele jeito engraçado de ser. O filho, ele apelidava de “dotorzinho, patraozinho”. Era uma verdadeira comédia. Houve momentos divertidos, como quando apareceu bêbado e, para melhorar, deram nele um banho de piscina. Essas histórias ficaram, e com elas, a saudade. É estranho o tempo passar e ele não aparecer mais por ali. Mas a vida segue — agora ele está do outro lado, livre da dor, dos vícios, da tristeza. Hoje pode andar, andar e andar sem se cansar, sem encontrar coisas ruins pela estrada. Apenas campos limpos e a belez...

Paz

Hoje ela saiu de casa. Para alguns, pode parecer algo simples, mas para quem carrega dores no corpo e no coração, cada passo é uma verdadeira vitória. Caminhou pela cidade, comprou algumas coisinhas e foi ao dentista fazer uma limpeza . Andou bastante, mesmo que meio mancando, e ainda assim agradeceu a Deus por essa conquista. Sim, é uma conquista, porque só quem passa por isso sabe o quanto pode ser difícil até mesmo sair da cama. Tudo se torna cansativo — até um banho. Mas ela não quer ficar deitada, não quer que seus ossos atrofiem , nem que sua visão escureça. Hoje, ela escolheu cuidar de si e da própria saúde. Por alguns momentos, sentiu-se bem, leve, livre para decidir o que quisesse. Teve vontade de voar para bem longe, viver perto do mar , andar descalça na grama , rolar com o cachorro , rir do nada. Desejou apenas uma oportunidade para ficar sozinha consigo mesma, descobrir se o problema está dentro dela ou nas pessoas que a rodeiam. Ela quer se conhecer de verdade, decidir o...

do contra ?

Ela sempre fez o que achava certo. Andou com as próprias pernas, carregou sua bagagem e, depois de mais de quinze anos vivendo como se estivesse em uma prisão, hoje não aceita mais que ninguém mande nela ou diga como deve viver. Cada pessoa carrega o que está escrito em sua própria história. Não adianta tentar apagar palavras ou mudar o rumo. Desde pequena, ainda na pré-adolescência , já era a do contra com a própria mãe. Quando ganhava presentes, como shorts curtos que mostravam demais ou sandálias altas, ela simplesmente dava tudo para outras meninas. Sempre acreditou que criança tem que ser criança, vestir-se como tal e ser tratada com respeito. Era rebelde, mas para o bem. Não aceitava ser exposta, mesmo quando era alvo de comentários e “propagandas” para amigos de seus irmãos. Apesar de ter sido uma menina largada, Deus a protegeu de coisas piores. Foi sempre a do contra, e isso a salvou. Jamais esqueceu as palavras duras que ouviu da mãe, quando esta sugeriu que ela deveria se en...

XUXA

👧🏼 Eu tinha 10 anos e era fãzona da Xuxa 💖🚀. Acordava cedo pra ver ela chegando na nave e cantar junto: “quem quer pão pão pão…” 🍞🎶. Dançava, imitava, tinha até boneca da Xuxa 🪆. 👉🏼 Até que um dia… fui no dentista com minha cunhada e, folheando uma revista, li uma matéria dizendo que a boneca da Xuxa tinha matado uma criança com as unhas 😱😱. Gente, eu entrei em pânico! 📌 Dias depois, meu irmão pendurou um pôster da Xuxa no quadro dele. Eu? Já traumatizada, amassei o pôster e joguei fora pela janela 🪟🗑️. Quando voltei… adivinha? 🤯 👉🏼 O pôster tava lá, esticadinho, como se nada tivesse acontecido! Eu e minha amiga não pensamos duas vezes: tacamos fogo 🔥 e nunca mais quis saber da Xuxa! 😂 ✨ Hoje eu dou risada, claro. Continuo gostando dela e reconheço a importância que teve na minha infância. Mas até hoje eu não esqueço desse episódio misterioso 👻🙈.

Porto Alegre

Ela voltou a Sapucaia , terra de memórias que o tempo não apaga. Visitou sua prima Clarice, revendo a casa onde morou aos 18 anos, tirando fotos em frente ao portão que guardava tantas lembranças. No parque, acompanhada das filhas e de uma priminha, reviveu sua própria infância. Cada balanço, cada risada que passou pela mente como um filme, cada canto do parquinho que já foi seu. Aproveitaram o calor para saborear um sorvete, e ela sentiu a alegria pura de estar no lugar onde nasceu e cresceu até os sete anos. Reviu uma vizinha querida, que a conheceu ainda menina, vizinha da casa de sua falecida e amada avó, que cuidou dela com tanto amor. O coração se encheu de carinho por aquele pedaço de terra que guarda parte de sua história. Antes de partir, a prima de Porto Alegre as convidou para visitar sua casa, recebendo-as com afeto e calor humano. Depois, a viagem de volta a São Paulo foi longa, e junto da distância veio a consciência de que nunca mais veria seu pai. Algumas semanas depo...

Ainda em Porto Alegre

Saíram da casa do pai em Esteio e seguiram para Sapucaia , para a casa da tia Neiva . Lá, cercadas de afeto, ela e suas filhas foram recebidas com carinho pela tia e lembranças do querido tio, já junto de Deus. Foram à igreja juntas, e cada gesto de atenção e cuidado aqueceu seu coração cansado. Foi um refúgio: sem gritos, sem cobranças, um lugar limpo, calmo, onde a mente pôde finalmente respirar. Ali, sentiu a certeza de que já não podia fazer mais nada por seu pai. E, ao retornar para São Paulo , levou consigo não apenas lembranças, mas a paz de ter se permitido descansar, se acolher e se reconectar com a serenidade que só a família e o amor podem trazer.

Até...pai

Há exatamente oito anos, ela voltou ao Sul para se despedir do pai. Ele lutava contra um câncer no pulmão , que depois avançou para o sangue, e o tempo parecia cruel demais. Os dias na casa da tia, que cuidava dele, foram pesados. Durante a noite, ouvia-o gemer, reclamar, dizer palavras duras que feriam os corações ao redor. O ar parecia pesado, a casa carregada. Suas filhas, pequenas, não se sentiram confortáveis ali; e ela chorava noite e dia, sentindo o peso da dor, da impotência, do amor que não podia aliviar o sofrimento. Quando chegou o momento da despedida, aproximou-se dele com delicadeza. Beijou seu rosto, acariciou os cabelos brancos e deixou as lágrimas correrem. Ele também chorou. Um instante de conexão profunda, de amor silencioso, de lembrança que ficaria para sempre. ♥️ Hoje, mesmo anos depois, a saudade permanece viva, doce e dolorosa ao mesmo tempo. Cada lembrança é um abraço do passado, um momento eterno de amor entre pai e filha.

Visita a Porto Alegre

Chorei na hora de me despedir do meu paizão. 💔 Amava tanto estar com ele… mesmo sem emprego fixo, mesmo com dificuldades, mesmo com seus vícios. Ele me deu amor — e isso bastava. ❤️ Lembro dos passeios de trem, dos óculos de sol, da casa da tia no Morro Santana … cada momento gravado no coração. Hoje sinto saudade, mas sei: um dia nos encontraremos novamente, em outro plano. ✨ ---

No desespero

Ela veio morar em Taubaté, SP com seu irmão e sua cunhada aos 13 anos, começando a estudar no João Feliciano . Gostava de viver com o irmão, mas ele precisou voltar para São Paulo , e ela retornou com a mãe. Foi então que sua vida mudou radicalmente. Aos 15 anos, morou na casa do padrasto, indo de um lugar para outro até o nascimento de seu filho. Quando ele nasceu, ela voltou para Taubaté aos 16 anos, sem emprego e sem saber o que fazer. Foi morar com outro irmão que usava drogas e a mantinha presa dentro de casa, sem nem poder abrir as janelas. Certo dia, esse irmão a agrediu e jogou o bebê no andador, mas, graças a Deus, a criança não se machucou. Ela contou tudo à mãe, que pediu para levar o filho para São Paulo por uma semana, deixando-a sozinha e ainda mais triste. O irmão voltou a agredi-la. Em desespero, ela foi ao mercadinho e comprou um velho Barreiro e um pacote de veneno de rato. Começou a beber a bebida e, em seguida, engoliu o veneno restante. Mostrou à cunhada o que es...

Adolescente

Quem consegue entender essa fase difícil, em que os filhos acham que estão sempre certos? Eles não aceitam broncas, nem conselhos; só querem se divertir e, muitas vezes, ainda tentam mandar nos pais. Hoje em dia, parece que não existe mais aquele respeito antigo, quando um simples olhar dos pais já dizia tudo, sem precisar de tapas ou brigas. Na adolescência dela, brincar na rua era liberdade e alegria. Não havia bullying ou comparações , e as crianças eram felizes sem saber. Cuidar da casa para ajudar as mães a trabalhar não era chamado de “trabalho escravo”, apenas fazia parte da vida. Eles nem imaginam o quanto a presença dos pais faz diferença. É necessário paciência, compreensão e amor; com isso, tudo pode ficar bem. O tempo passa, e, apesar da rebeldia , eles ainda podem contar com seus pais.

Independente .

Desde pequena, ela sempre foi independente. Cuidava da casa, lavava roupas, fazia comida, enquanto a mãe trabalhava e saía nos finais de semana. Aos 11 anos, sofreu um acidente grave: foi atropelada, quebrou o fêmur e quase perdeu um dedo. O lugar que mais amou morar foi a Cohab 2 , na rua Álvaro de Távora. Lá era livre: ia à escola sozinha, brincava com as vizinhas, participava de pagodes e desfiles de carnaval , cercada de amigos e de carinho da família Rodrigues, que a acolhia como filha. Mesmo com a alegria fora de casa, dentro dela havia brigas, confusão e violência. Disparos à noite, irmãos envolvidos com problemas sérios — um ambiente pesado para uma pré-adolescente. Ainda assim, ela encontrou felicidade, brincou, namorou e tentou sempre fazer o certo. Aos 14 anos, a família vendeu a casa, mudaram-se para a casa do padrasto, e a vida voltou a ser difícil. Entre idas e vindas, vizinhas que a ajudavam e dias de exaustão na escola, algo inesperado aconteceu: uma gravidez. Menor d...

Nao entender

Ela cresceu entre contrastes: sem a mãe presente, jogada de casa em casa, vivendo com madrasta e parentes. Mas na casa da avó encontrou carinho, pequenas alegrias e aprendizados: lavar roupas, pendurar no varal, brincar atrás da cerca, tomar chimarrão e comer peixe com espinhas . Mesmo diante de riscos e dificuldades, havia momentos de liberdade: pescar no rio, rir com primos, ter um cantinho só seu. Tudo mudou quando a mãe a levou para outro estado, e a infância que conhecia desapareceu. Ainda assim, essas lembranças moldaram sua força e coragem — a prova de que, mesmo na ausência do amor, é possível encontrar beleza e resiliência . 🌿